quarta-feira, 1 de junho de 2016

HOMENAGENS PÓSTUMAS








HOMENAGENS PÓSTUMAS



Passei a evitar o constrangimento e até me tornei antissocial para ir a velórios, as homenagens públicas são relevantes eu sei, para, no mínimo tornar o ambiente de quem fica e é mais próximo mais acalentado, é dever humanitário que, assumo, sou omisso.



Esta omissão tem uma razão de ser que não serve de desculpa, mas que preciso evoluir para encarar esta etapa de maneira mais socializante, o fato é que profissionalmente fui encarregado no passado de presenciar em nome de entidades que laborei, em atividade desta natureza.



Chegou um tempo, que de tanto assistir fatos totalmente dissociados de emoção do momento, que, me perdi, não encontrando sentido em velório, repito, sei que não serve de desculpa.



Hoje, porém preciso reverenciar duas pessoas, por razões distintas, que moldaram o meu caráter e serviram de exemplo de conduta, como tantos outros parentes, amigos e conhecidos que já foram para o andar de cima.



Como venho divulgando meu trabalho para diversas entidades internacionais, busquei focar estas linhas no quanto a homenagem que é justa, pode servir aos destinos de pessoas que em nada podem ter de contato com os dois homenageados de agora.



Os dois, sem estabelecer grau de elevo, porque para mim, não haveria como fazê-lo, e, mais, acredito que para prestar homenagem póstuma o sentimento de conferir dignidade apesar das distinções das vidas levadas, deve buscar ao máximo ser equânime.



Não é tarefa fácil, mas é a função que passo a realizar:



O primeiro foi Padre, honesto, fiel ao compromisso com Cristo, nunca envolvido em atos contrários ao compromisso assumido, defensor da causa do escotismo, como referencial de disciplina para moldar o caráter, e, por ter sido honesto até demais, falando verdades não aceitas por poderosos foi perseguido.



Nos anos 60, o Padre, então pertencente aos quadros da Catedral de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, em época de ditatura militar que era contra, foi convidado para assistir um baile de carnaval e foi.



Correto que é, não fez da atividade motivo para envergonhar a Igreja de Cristo, muito antes, assistindo ao perdimento de muitos que exageraram na dose, rezava para que estes encontrassem o caminho de Deus, e, saíssem daquele cenário vergonhoso.



Não faltou oportunidade para queixas ao Bispo, que somadas, não teve uma sequer que pudesse apontar um fato religiosa ou socialmente punível, não foi expurgado, somente perseguido.



Ser perseguido nos torna com o “lombo” mais duro, quanto mais batem, mais necessário o caráter para demonstrar que a perseguição, assim como foi a do Cristo, não leva ninguém ao descaminho, antes do contrário, depura a alma, e, isto, Padre Edgard de Oliveira, natural de São João Batista, Santa Catarina, Brasil, ganhou deméritos suficientes para garantir passagem direta para o Céu.



Como reflexão a todos que lerão estas linhas, deixo que Padre Edgard, que não gostava de serventias indevidas, será útil para quem quiser e acreditar em intercessor no Céu, basta que seja honesto o pedido, nunca se negou a trabalhar.



Num dia de procissão, vendo um bêbado sem condições de nada, pegou levou em seu carro, na entidade fundada pelo igualmente Santo (uma convicção pessoal) Padre Léo, em estado absolutamente fétido, teve, que naquele local, tratar de dar banho no paciente, e, ainda, teve que ouvir as mágoas que propalava sem sentido antes de cair no sono, tratando tudo na maior normalidade.



Não vejo como, no mínimo, os exemplos, ainda que singelos de Padre Edgard, e, não espelham muitas outras histórias de seu apostolado, do cuidado com cada ser humano e cada família, sendo severo, porém correto, de modo que todos devemos ser.

...



O segundo, se chama Werner Voigt, que não cheguei a conhecer, mas tive a oportunidade de ir a fábrica de que era sócio fundador, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina a WEG, de expressão mundial, quando estudava no curso de eletrotécnica no segundo grau, em viagem de estudos.



Sua correção, capacidade de empreendimento e dedicação, moldaram o caráter e serviu de exemplos para quem quer na vida empreender ou trabalhar em favor de empreendimento, com vistas ao sucesso.



A honestidade foi o elemento de conduta irredutível de atividade, e, por conta do fato que era muito rico, poderia ter usado o dinheiro de maneira gananciosa, ou se perder no descaminho, o que, por força de ter sempre presente na lembrança todas as etapas que se seguiram e o esforço até chegar ao sucesso, não teve problemas em se manter equilibrado e indemovível na retidão.

...



A morte não traz boa situação para quem fica, buscar o conforto do bem viver da pessoa que teve o passamento é buscar alento, até que as coisas voltem a se restabelecer, sendo que a lacuna jamais será preenchida.



Buscar se inspirar nos bons exemplos enquanto vivos, acaba sendo mais eficaz do que falar bem depois de morto, mas é assim que é a vida, nos perdemos, buscamos nossos caminhos e pessoas que poderiam servir mais ativamente de força para impulsionar a vida, ficam para traz na estrada e somente são lembrados mais ativamente quando falecem, o que é uma pena.



Poderíamos pensar, poxa Deus levar duas pessoas tão boas, enquanto o Brasil e o mundo ainda têm tanto traste vagando e fazendo mal aos outros, mas coitado de Deus, que se não acrescentar o rol de profissionais de boa estirpe para ajudar, como ficam os ânimos de inocentes ante a ação dos maldosos.



A atividade de intercessão, para quem teve o passamento, penso se justifica, até porque, Deus não colocaria a beleza da vida, para esta etapa, sofremos, temos alegrias, e, depois, de nada serve para a sequência da vida.



Deus, me parece, não trata de fazer coisas inúteis, penso que a força criativa e gestora da vida, não pode deixar de ser inteligente e ter forma, e, se for inteligente, não há ser feio, esclareço que para mim, feio é quem faz maldade, o resto não se cuida mesmo.



Hoje é dia e noite chuvosa em Balneário Camboriú, onde moro, tornando o dia triste, saudoso, quase como que quisesse prestar a justa homenagem a tão ilustres viventes que foram encaminhados para trabalhar e muito agora no Céu, não acredito em tocar flauta, acho dali em diante, pode ser divertido, mas com certeza é muito trabalho a ser executado.



Padre Edgard e Werner Voigt, estão neste momento sendo acolhidos, sendo esclarecidos das funções que desempenharão, e, certamente, pela vida que levaram, estão muito havidos de começar a trabalhar.



Aos familiares, amigos e conhecidos que ficaram, os sinceros pêsames, não gosto de sentir o que vocês estão sentindo, então, de tanto ficar repetindo esta frase, acabei por deixar o sentimento de lado, e, palavra sem sentimento não tem vida, então, o que posso dizer, de verdade é que, se precisarem de mim, ao final vai meu e-mail, estarei sempre pronto a colaborar com o que for necessário.



Sobretudo, o que é mais importante, aos que amaram de verdade quem foi, e, se sentem sozinhos, acredito que a primeira missão de quem chega é buscar dar alento, via intercessão, e, novos destinos de vida, com a lacuna, mas reencontrando a alegria sem a companhia, sim das boas lembranças, porque lembrar é viver.



Reconheço que não há como ser justo em fazer homenagem por fatos isolados, com tantos exemplos de toda a vida que foi vivida, mas penso que a limitação do momento, não guarda a oportunidade de tecer a miúde todos os detalhes dos homenageados, o que deixo para os comentários ao blog dos que sentirem à vontade para se associar a estas linhas, além disto a biografia de ambos, escrita ou não, como exemplo fala por si só.



Por fim, quero desejar, como oração, que o bom Deus, seja tão benevolente com todos dando porção humana semelhante das virtudes que coube ao Padre Edgard de Oliveira e a Werner Voigt, a todos que lerem ou, com justiça pedirem, estamos todos precisando, Amém.



Hélio Barreto dos Santos Filho

heliobsf@hotmail.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário